terça-feira, 28 de março de 2017

LAVA JATO - 39ª Fase da operação Lava Jato está nas Ruas

     A Polícia Federal realizou hoje mais uma etapa da operação Lava Jato. Desta vez, o alvo principal é um ex-gerente da Petrobras, acusado de movimentar dinheiro de propina em várias contas no exterior. Foram cumpridos cinco mandados de busca, todos no Rio de Janeiro, e um de prisão preventiva contra Roberto Gonçalves, ex-gerente de engenharia da Petrobras, que estava em Roraima. Ele já havia sido preso em 2015, em outra fase da Lava Jato.  Segundo as investigações Roberto recebeu propina de contratos do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro e do esquema da Set Brasil, em contas secretas no exterior. Roberto foi sucessor de Pedro Barusco na gerência de engenharia da Petrobras. Segundo os procuradores, Roberto foi citado por dois delatores: Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia e Mario Góes, que intermediava propinas na Petrobras.  Os procuradores da Lava Jato disseram que autoridades suíças identificaram cinco contas secretas de Roberto Gonçalves para recebimento de vantagens indevidas e depósitos superiores a 3 milhões de dólares. O dinheiro veio do setor de operações estruturadas da Odebrecht e de uma conta vinculada a Renato Duque, ex-diretor da Petrobras.  O que motivou a prisão de Roberto Gonçalves foi a transferência de grandes quantias da Suíça para contas em outros países. “Roberto Gonçalves, depois da deflagração da operação Lava Jato em abril de 2014, começou a transferir recursos dessas contas para contas sediadas em outros países, como China e Bahamas”, explicou o procurador da República Julio Motta Noronha. Apesar da tentativa de esconder o dinheiro, ainda foi possível o sequestro de mais de quatro milhões de dólares de Roberto Gonçalves.  No Rio de Janeiro, os cinco mandados de busca e apreensão foram em endereços residenciais e profissionais de sócios ligados à empresa Advalor Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários LTDA. Para os investigadores, há provas da participação dos investigados em lavagem de dinheiro e no pagamento de vantagens indevidas a funcionários da Petrobras, incluindo Roberto Gonçalves e Pedro Barusco.  Os procuradores disseram que a delação do ex-executivo da Odebrecht, Rogério Araujo, serviu de base para essa nova fase da Lava Jato. Disseram também que Rogério emprestou uma conta dele no exterior para Roberto Gonçalves. “Foi utilizado nesse caso depoimento de colaborador que celebrou acordo com o ministério público federal no âmbito das 77 colaborações. E por que isso? Porque foi dado a ele a oportunidade esclarecer os fatos na condição de colaborador que é apresentando a sua versão sobre os fatos antes da deflagração ostensiva da fase”, disse o procurador da República Roberson Pozzobon. A defesa de Roberto Gonçalves disse que só vai se manifestar após ter acesso ao processo e que ele estava visitando familiares em Roraima. Os advogados de Pedro Barusco afirmaram que as declarações dele estão contidas no seu acordo de delação. A Petrobras informou que é vítima dos fatos revelados pela operação Lava Jato e como resultado já recebeu cerca de seiscentos e sessenta milhões de reais recuperados pelas autoridades brasileiras. A companhia afirma que segue colaborando com as autoridades e buscando o ressarcimento dos prejuízos. Advalor Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários não quis se manifestar. A Odebrecht, em nota, disse que assinou acordos com autoridades do Brasil, Estados Unidos e Suíça para esclarecer sua participação em atos praticados pela companhia. E que já adotou medidas para aprimorar suas práticas. A empresa informou ainda que não se manifesta sobre o teor dos depoimentos dos seus ex-funcionários. O Jornal Hoje não conseguiu contato com a defesa de Renato Duque e da empresa Sete Brasil. (Jornal Hoje)

Nenhum comentário:

Postar um comentário