sexta-feira, 8 de setembro de 2017

CORRUPÇÃO - O Depoimento de Palocci ataca o ex-presidente Lula

Ex-ministro descreveu o que chamou de pacto de sangue entre Lula e a Odebrecht. Depoimento era um dos mais aguardados da Lava Jato.
        O ex-ministro Antonio Palocci deu na quarta-feira (6 de setembro) um depoimento surpreendente ao juiz Sérgio Moro sobre as relações da Odebrecht com os governos Lula e Dilma. O ex-ministro descreveu o que chamou de pacto de sangue entre Lula e a Odebrecht por propinas e favorecimentos. Foram duas horas, nas quais Palocci se manteve calmo na maior parte do tempo. Um depoimento aguardado como poucos nos mais de três anos de Lava Jato. Começou igualzinho a todos os outros. Na sala repleta de advogados de terno e gravata, as formalidades de sempre vieram, primeiro, do juiz.   Depois disso, o "previsível" abandonou de vez a audiência. Diante de Sérgio Moro, um homem forte dos governos petistas, agora preso e já condenado em outro processo, decidido a mergulhar no passado para, segundo ele, clarear o presente. De cara, Palocci foi dizendo: “A denúncia procede, os fatos narrados nela são verdadeiros." Esta denúncia o país conhece. A Lava Jato afirma que, em troca de benefícios em contratos com a Petrobras, o grupo Odebrecht pagou quase R$ 13 milhões de propina ao ex-presidente Lula, bancou a compra de um terreno e de um apartamento. Palocci foi sarcástico ao comentar o risco de a compra do terreno comprometer o ex-presidente Lula.   Palocci: Eu ficava perguntando para eles: ‘E aí? E agora? Como é que vocês vão fazer?  Disse que chegou a recomendar ao ex-presidente que não aceitasse que o negócio fosse feito daquela maneira. Não, exatamente, por bons motivos.   Palocci: Não estou querendo dar de santo, eu queria ir atrás dos parceiros que o governo tinha feito, criado vantagens, para que eles dessem doação para o instituto. E sorriu com ironia, ao lembrar que alertou Lula da possibilidade de acabar ali, no banco dos réus.  Palocci: Acho que isso aí vai virar uma confusão e nós vamos acabar num lugar como esse que nós estamos aqui.  O ex-ministro também achou graça quando quiseram saber se ele era mesmo "o Italiano" das planilhas de propina da Odebrecht.   Palocci: O Marcelo nunca me chamou de 'Italiano', mas eu acho que essa planilha, quando ele coloca ‘Italiano’, diz respeito a mim, sim.  Teve momentos de impaciência quando o advogado de Lula perguntou por que trazer à tona agora o que antes mantinha em segredo.   Palocci: Eu confesso que por um tempo eu tentei ajudar que as investigações não andassem. Hoje acho melhor que elas se esclareçam e a gente tente com isso melhorar as coisas. Fazendo isso dentro do que eu li da lei e que me dá essa possibilidade e que me garante objetivamente alguns benefícios legais.  O ex-ministro se irritou mais uma vez com os questionamentos de Cristiano Zanin.
Palocci: Eu estava presente na conversa com o presidente Lula.
Advogado: Certo, mas não na suposta conversa, repito.
Palocci: Suposta, não. Está na agenda do presidente.
Palocci disse que se esforçou para não proferir a palavra propina, ao definir o papel da Odebrecht.
Palocci: A Odebrecht era uma colaboradora. Colaboradora talvez seja uma palavra. O senhor desculpa, às vezes eu sou 30 anos treinado para falar dessa forma, mas que a Odebrecht dava propinas frequentes ao presidente Lula e ao PT.   E sobre a tentativa de impor dificuldades à Lava Jato, Palocci pretendia falar mais, mas ficou para uma próxima.  Palocci: Eu me reuni com o ex-presidente Lula e com outras pessoas no sentido de buscar, criar obstáculos à evolução da Lava Jato. Posso citar casos, se o senhor desejar.     Moro: Vamos deixar isso. Não é objeto específico desse processo. Vamos deixar então para outra oportunidade esta questão. O depoimento de Palocci foi acompanhado por quase 30 pessoas, entre advogados e procuradores. Depois do depoimento, Palocci voltou direto para a carceragem da Polícia Federal, em Curitiba. Ele já está há quase um ano preso. As negociações com o Ministério Público Federal para um acordo de delação premiada continuam. (Por Jornal Nacional) 

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