segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

BORRAZÓPOLIS - POLÊMICA

Prefeitura determina o fim do transporte escolar da zona rural,  no período da tarde. A medida causou polêmica e mães disseram que vão a Justiça
Balancete divulgado pela prefeitura, aponta gasto de 391 mil, no exercício de 2017, mas ainda estão faltando valores de combustível que não foram calculados
           Nesta segunda-feira, dia 26 de fevereiro, de 2018, entrou em vigor uma determinação do prefeito Adilson Luchetti, o "Didi", que suspende o transporte escolar no período da tarde, para alunos que estudam na zona rural do município. Um balanço divulgado pela administração, aponta que apesar do subsidio do governo estadual, de 120 mil, o gasto foi de 512 mil, restando ainda um investimento de 391 mil para a prefeitura (Ver tabela acima).  Segundo a administração,  das sete linhas de bairros existentes, em todas, os ônibus não vão circular, a partir das 17 horas, como ocorria tradicionalmente. Isso significa que os filhos de agricultores, que estão matriculados no período da tarde, podem até vir para a cidade com o transporte do meio dia, que leva os alunos da manhã, mas à tarde, ficarão sem transporte. O prefeito falou a nossa reportagem para justificar a medida. "Todos estão percebendo, o noticiário diz isto todo dia, que as prefeituras estão a beira da falência. Não estamos apenas adotando esta medida, são várias outras, todas com o intuito de economizar, porque queremos terminar o nosso mandato com funcionalismo em dia, controle de gastos e administrando, não em prol da popularidade, mas em prol da responsabilidade. Inclusive, a pedido do MP, também vou reestrutura todos os cargos de chefia, o que também vai gerar mais economia", disse o prefeito.  Ele também alegou que não há motivos para tanta polêmica, porque em alguns Bairros, o ônibus com 35 lugares, com motorista e o desgaste do dia a dia, faz o transporte para recolher, em média, cinco alunos, e há até casos de dois alunos, o que torna, na concepção do prefeito, inviável. "Conversamos com as diretores das escolas, buscamos  amenizar os problemas, e a ideia é que nestas localidades, os estudantes sejam matriculados de manhã. Então é importante que fique claro, em todo Bairro haverá transporte todo dia, mas com esta crise, não podemos nos dar o luxo de oferecer duas opções de horário. Preciso do bom senso dos pais, e sei que ao final, tudo vai dar certo. Também há a possibilidade de iniciarmos as aulas 08 horas, para que as crianças não precisem acordar tão cedo", disse o prefeito. Ele ainda  afirmou, que, segundo orientações da SEED - Secretaria de Estado da Educação, o município não é obrigado a transportar alunos de atividades  diferentes: "Alunos matriculados em qualquer atividade extracurricular ou contra turno, ou ainda matriculados em cursos no centro de Línguas Estrangeiras Modernas - CELEM, não tem direito ao transporte escolar público", diz documento da Secretaria, mas segundo o prefeito, mesmo assim, ele fará o transporte de alunos que estão dependendo de reforço. Ele citou, como exemplo, os filhos de um casal, que reside no Bairro 200 Alqueires, que está fazendo reforço, e que acordou com diretores, que estas aulas sejam todas no mesmo dia, para facilitar este transporte extraordinário que continuará sendo oferecido.  OUTRO LADO - Algumas mães estão inconformadas com a medida. Uma moradora do Bairro Cambuta, de nome Thais Aparecida Ribas, ligou para o repórter Ronaldo Senes, o "Berimbau", ela disse que não sabe o que fazer. "Eu moro há cerca de dois quilômetros da estrada, que passa o ônibus, é uma subida muito forte. Tenho dois filhos  de 07 e nove 09 anos. Terei que acordar às 05:30 da madrugada, para conseguir embarcar meus filhos. Imagina estas crianças acordando neste horário, todos os dias. Outro detalhe, ainda temos o medo de andar sozinhos em uma estrada escura em meio a  tanta violência. Infelizmente, meus filhos não vão estudar e não quero Conselho Tutelar e ninguém na minha porta, porque onde eles devem ir, é na porta do prefeito", disse  Thais, que reside no Bairro Ponte Preta. Outras mães procuraram a nossa reportagem, como a Regiane Berto, do Bairro 200 Alqueires. Ela disse que os pais estão unidos e vão assegurar este direito na Justiça, inclusive, agendaram uma reunião com a Promotoria de Faxinal, na terça-feira, dia 27 de fevereiro, a partir das 13 horas e participação das reuniões da câmara, até que o problema seja solucionado.  O QUE DIZ A LEI - Nossa reportagem buscou informações junto ao Núcleo de Educação, em Apucarana e também  no Ministério Público, em Faxinal. Ambos os órgãos, informaram que o município pode ser responsabilizado e punido, caso não forneça o transporte escolar para os alunos da zona rural, mas confirmaram um dos argumentos do prefeito, de que o transporte, apenas em um dos turnos, de manhã, ou à tarde, isenta o município de qualquer outra obrigação.  Outra informação, é que "cada caso é um caso", ou seja, é preciso avaliar as situações e constatar se realmente há alunos que seriam prejudicados ou impossibilitados de frequentar a escola.  O tema ainda deve gerar muita polêmica e nossa reportagem continua acompanhando (Texto - Ronaldo Senes, o "Berimbau). 

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