16/02/2021

Produtores de Leite ameaçam abandonar a atividade por conta do preço baixo

No link de vídeo, ouça entrevista com um produtor de Ortigueira, revelando que os preços pagos atualmente (fevereiro, de 2021) é uma covardia com os agricultores que estão nesta ramo de atividade 
Foto do Portal Agronegócio 
O produtor de leite, senhor Domingos, do Assentamento Libertação Camponesa, em Ortigueira, ouvinte da Rádio Nova Era, e também leitor do Blog do Berimbau, falou neste dia 16 de fevereiro, de 2021, com a reportagem, para denunciar o descaso com os agricultores que trabalham neste setor. "Não dá para entender como a pandemia subiu todos os produtos alimentícios, mas nem assim, pagam mais pelo leite que produzimos. É um absurdo, é uma covardia com o produtor rural, vender um litro de leite  por um real e cinquenta centavos, sendo que no mercado,  ele chega altíssimo para o consumidor", disse o produtor. Ele chegou a apontar os laticínios com vilões e pediu socorro. Por telefone, falamos com alguns empresários do ramo. Em Grandes Rios, o Silvio Daines, dono de Laticínio, informou que os empresários também sofrem com com os baixos preços. Ele explicou que, atualmente, quem produz pouco leite, recebe, em média,  R$1,50 pelo litro, e os maiores produtos, cerca de 2,05 por litro. A diferença ocorre por conta dos custos no transporte, que fica mais barato, quando se busca numa propriedade onde o montante é maior. Sobre lucros, revelou que, a média do litro, fica entorno de R$1,80, sendo necessários dez litros para produzir um quilo de queixo, que é comercializado a menos de 20 reais para as empresas que revendem, ou seja, com lucro praticamente zero. Na sua visão, somente o Mercado tem lucrado com a atividade, ao inflacionar para o consumidor, enquanto produtores e laticínios tem ganhado cada vez menos. Na região de Manoel Ribas, um empresário  afirmou que sempre no início do ano, janeiro e fevereiro, realmente o produto fica em baixa. Já agricultor de Ariranha do Ivaí, Augusto Rocha, aplaudiu o produtor de Ortigueira, dizendo que ele está corretíssimo. Afirmou, inclusive, que está decidido a abandonar a atividade, depois de muitos anos, por conta da política de preços. Recentemente, uma matéria publicada pelo "Canal do Leite" e Portal Agro em Dia, revelou que o produtor gaúcho, Rafael Hermann - um dos coordenadores do Movimento Construindo Leite Brasil - fez um apelo para o presidente Bolsonaro apoiar o setor. “O governo Bolsonaro é a nossa última esperança para reestruturar a cadeia leiteira”, afirmou Hermann. Para ele, é preciso desonerar os impostos que incidem sobre a atividade, pois só assim os pecuaristas de leite poderão ganhar fôlego frente aos altos custos de produção, à elevada carga tributária, à queda dos preços pagos pelos laticínios ao produtor e aos efeitos da pandemia de covid-19. “Só queremos condições adequadas de trabalho e contamos com o presidente Bolsonaro para resolver os problemas que há mais de 30 anos atrapalham o desenvolvimento do setor leiteiro. Não pedimos subsídios, mas políticas públicas que permitiram equilibrar os custos de produção e a margens de lucro da atividade leiteira. É necessário que possamos ser competitivos para entregar aos consumidores um produto de qualidade, saudável e a preços acessíveis”, pontua o produtor. A proposta de desoneração de impostos sobre a cadeia leiteira é consenso entre os movimentos Construindo Leite Brasil, Inconfidência Leiteira, União e Ação, e Aliança e Ação - entre outros - que congregam milhares de pecuaristas nas redes sociais. O apelo para que o governo atenda a reivindicação ganhou força com a forte elevação dos insumos para a produção – como concentrados, milho, farejo de soja, medicamentos e ureia. “O governo tem que olhar para a gente neste momento de enorme dificuldade. Os custos de produção sobem diariamente e as indústrias estão baixando os preços do leite pago ao produtor”, ressaltou Hermann. “O desanimo e desespero estão tomando conta da base produtora. Se não formos apoiados com urgência, o desmonte da cadeia será inevitável, aumentando o abandono da atividade no campo e fechando pequenos laticínios e queijarias.”

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